O coração é uma caixinha de surpresas. Tem seu lado romântico, mas também traiçoeiro: O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). A cada minuto, aproximadamente, 23 pessoas morrem de ataque cardíaco, em todo o mundo, mais de 30 milhões de ataques cardíacos, quase 40% deles fatais. Conforme a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), quatro pessoas morrem diariamente de infarto no Espírito Santo. Do dia 1º de janeiro até o final do mês de setembro de 2013, foram 1.308 óbitos. Outras fontes apontam a segunda-feira como a campeã de infartos. Já as regiões Sul e Sudeste do Brasil lideram o ranking do mal em questão.
Pesquisas revelam que as mulheres estão fumando cigarros cada vez mais, o que igualou o número de infartos entre elas, com os dos homens. O cardiologista José Bruno Silveira de Souza explica que o infarto acontece quando parte do músculo cardíaco morre por falta de oxigênio. Dor no peito, falta de ar, náuseas e pressão baixa são alguns sintomas do enfarto. A idade avançada e o estresse contribuem, ainda que não seja o de maior grau, como colesterol elevado, tabagismo, hipertensão arterial e diabetes, conhecidos como o “quarteto do mal”, além da herança genética (quando os pais tiveram doença coronariana), obesidade e sedentarismo.
“Quando é feito o diagnóstico de infarto, ainda na residência do paciente, a vítima terá mais chances quando chegar ao hospital, pois uma vez tudo preparado, faz-se o cateterismo na hora, desobstruindo a artéria. Para se prevenir de um infarto, é aconselhável fazer uma boa dieta, manter controlado o peso, a pressão e o colesterol. Evite alimentos ricos em gordura, como frituras. Introduza mais grãos e frutas na rotina alimentar. O cigarro acelera o desenvolvimento da aterosclerose que danifica as paredes das artérias, o que facilita o depósito de colesterol. Praticar exercícios físicos regularmente é benéfico à saúde. Também um check-up periodicamente é fundamental”, afirma José Bruno.
Ele, que é intensivista do Hospital de São José do Calçado e membro da equipe 1, do Centro de Cirurgias Cardíacas do Hospital Escola Álvaro Alvim (HEAA), em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, esclarece que, quem ronca não tem predisposição ao infarto agudo do miocárdio. Entre os distúrbios do sono, apenas a apneia pode contribuir com o infarto agudo do miocárdio e alerta que não se deve abusar no uso de carboidratos e sal na alimentação.
Anticoncepcionais
“O tabagismo arruína o coração e pode implicar câncer na boca, faringe e pulmão. É um mito que o álcool faz bem ao coração. Entre as mulheres, as que têm maiores chances de sofrer um infarto são as que fazem uso de anticoncepcionais (pílulas) e têm complicações durante o período de gestação, como eclampsia, sendo até seis vezes maiores as possibilidades”, afirma, frisando que gordura faz mal para o coração, fígado, e pâncreas.
José Bruno esclarece que o colesterol ruim é o LDL, que, em excesso e no decorrer do tempo, acumula-se nas paredes dos vasos, provocando a aterosclerose, deteriorando as artérias e reduzindo ou impedindo o fluxo de sangue, levando à angina e ao infarto. Ele ainda destaca que o aumento do uso da estatina – remédio usado para reduzir o colesterol ruim e colesterol - está entre os remédios mais consumidos no mundo.
“O coração, quando não cuidado, vira contra seu próprio corpo de aluguel. Cuidar da saúde em todos os sentidos é uma chance para se viver por muitos anos, sem ser surpreendido pelo sinistro”, pontua o cardiologista.
Animais também podem morrer de infarto do miocárdio
Assim como os humanos, os animais também enfartam. Em São José do Calçado, no Sul do Estado, recentemente um cavalo morreu de enfarto fulminante, em plena praça pública. Já uma galinha de estimação, no mesmo município, morreu do mesmo mal, enquanto brincava com seu dono.
Segundo o clínico geral em veterinária médica, Kassiano de Paula Castro, as galinhas obesas têm dificuldades para transpirar, ocorrendo a morte súbita. Ele explica, também, que a principal sintomatologia de doença cardíaca em cães é a tosse, língua ou mucosas azuladas, cansaço fácil intolerância ao exercício e que um cavalo acostumado a fazer cavalgadas, quando fica meses preso em um pasto ou baia, tem todas as chances de enfartar, se voltar a caminhar rapidamente.
“O cavalo e a galinha têm muita massa muscular e um coração pequeno. Em uma granja, se soltar um foguete, instantaneamente, morrerão vários frangos de um ataque do coração – é muita emoção ou susto para um coração encurtado, em um corpo sarado, à base de muita ração, com todos os tipos de proteínas”, ensina.
Dados apontam que 43% das pessoas que possuem animais os alimentam com comida caseira, 23% com alimentos industrializados e 34% misturam ambas as alimentações. Kassiano alerta que, com essas atitudes, os donos cooperam para que os animais fiquem obesos, algo que contribui para a hipertensão, diabetes, acidente vascular cerebral e o infarto.
“Tem dono de animais que dão sorvete, pizza, salgadinhos, biscoitinho e frutas por fora da ração, não tendo noção o quanto é prejudicial. Estão deixando de serem carnívoros para serem onívoros. Os animais têm diabetes, câncer, hipertensão e demais doenças”, esclarece.
Finalizando, adverte que a ocorrência natural de infarto agudo do miocárdio (IAM) é rara nos cães e nos gatos. O infarto mais comum nos cães é o infarto intramural microscópio (MIMI) e está associado a diversos fatores. “É importante realizar um eletrocardiograma para qualquer procedimento anestésico, manter os animais com o peso ideal, realizar tratamento periodontal. Uma alimentação adequada à base de uma boa ração balanceada e própria para a fase do animal, além de visitas regulares ao veterinário para que este se certifique de que não há nenhuma anormalidade na saúde do animal”, pontua.
Fonte: Blog Last Minute News



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